sexta-feira, 15 de maio de 2009

Crise

Meu primeiro emprego foi conquistado em uma empresa familiar que fabricava tecidos em Vitória,foi lá que recém formado iniciei uma jornada que me fez de mim o que sou agora.
O produto da empresa era sazonal, tinha uma procura muito grande no segundo semestre, e quase nenhuma no primeiro.Resultado , muitas demissões e após alguns meses , contratações.
Posso me ver com medo de estar em alguma lista, antecipando uma demissão, preocupado com contas e tantos problemas.
Todos os anos , eu me preocupava . . .
Sentia todos os efeitos do stress . . .
E ia crescendo na empresa até atingir um cardo de liderança e gerência.
A empresa familiar era grandiosa e tinha um nome muito respeitado no mercado, anos de mal administração e desperdício foram aumentando o endividamento.
O dono tinha tido um ANC e agonizava em um hospital . . .
A família resolvera profissionalizar a gestão, buscou no mercado executivos com visão profissional e ética, resultado, uma profunda revisão do negócio e do produto.
Neste proceso de revisão , ao abordar o problema do endividamento, propuseram como solução que a sobrevivência da empresa passaria pela resolução do endividamento extremo , através da venda de parte da empresa.
Eles negaram . .. 
A empresa foi quebrando muito devagar . . .
Redução de quadro . . 
Desta vez , eu não tinha que ter medo de estar na lista, pois eu fazia a lista . . .
Foram pelo menos um ano . . .
Perdendo benefícios . . .
Um a um . . .
Pude ver amigos de muitos anos , indo cada um para uma direção . . .
Fiquei em um grupo que lutou até o fechamento da fábrica . . . 
Até que ficamos sem luz . . .Sem refeitório . . .
Alugou-se um gerador, temporariamente . . .
Inevitavelmente , a fábrica quebrou . . . 
Depois , foi o desemprego. . .
Minha sorte é que eu havia começado trabalhar em uma nova área , e iniciava um novo caminho.
Mas eu fiquei parado , , ,Uma espécie de transição.
Me lembro de quando eu voltava da padaria pela manhã e via tantas pessoas nos pontos de ónibus aguardando transporte da CVRD, BELGO,GAROTO,CST e eu parado . . . 
Vários domingos e dias de semana perseguindo oportunidades em classificados de jornal . . .
Na verdade não fiquei parado , encarei um monte de desafio, lecionando, trabalhando em paradas de usina . . .
Tenho gratidão por algumas pessoas que me estenderam a mão.
Álvaro, Cesar , que Deus lhes ilumine!
Quanto sou grato a Deus que me ouviu!
A empresa realmente fechou, e todo aquele medo do incerto que tanto antecipei , na verdade só fez aumentar a dor . , , 
Percebi em mim uma série de habilidades que nunca imaginei que tivesse e estas habilidades me tornaram atrativo para o mercado de trabalho.
Dizem que a dor do desemprego é semelhante a morte de um familiar . . . 
E agora sete anos depois, mais uma crise .
Fiquei sabendo que os locais onde eu trabalhei em Vitória agora estão fechados, meus amigos , novamente desempregados . . . 
O emprego em uma empresa que tento desejei e lutei , a empresa está parada . . .
Onde trabalho hoje , também receberá efeitos da crise . . .
Não sei como , nem quais, o que sei é desta vez não vou antecipar e me matar sofrendo sem necessidade.
Agora com quase quarente anos e uma família que depende de mim , vamos em frente!
Deus sabe o que faz, bendito seja Deus!



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