domingo, 25 de março de 2007

Vinte sete de agosto de 1989



Vinte sete de agosto de 1989.
Acordei cedo , minhas malas já estavam arrumadas.
Minha Mãe tinha comprado para mim roupa de cama, toalhas e duas malas nas casas Nordeste da asa sul.Eu não tinha pensado nestes detalhes , ela sim.
Toda minha vida tinha se passado em Brasília.
Cresci na morando no Cruzeiro , na 114 norte e finalmente na 109 sul.Minha Mãe era funcionária pública e era ela quem sustentava nossa família.Trabalhava em dois hospitais e por vezes em uma clínica.
Eu achava que estava pronto para ir ao Rio de Janeiro . . .
Tínhamos ligado para um amigo , que tinha irmão no Rio, o Toninho . . .
Naquela manhã o café foi como em um dia normal.Apenas um pouco mais de silêncio.
Peguei minhas malas , meu irmão me ajudava, e minha mãe também ia conosco.Estavamos quase na hora do embarque e la fomos nós para a rodoferroviária de Brasília.Eu não me lembro do percurso , sei que me sentei na frente , no nosso Voyage branco.Chegamos na Rodoferróviária.
Quando cheguei na rodoviária , estava passando mal , provavelmente a ansiedade.
Fomos eu , meu irmão e minha mãe , que se prontificou a comprar o remédio ...
Quando ela saiu , localizamos o local do embarque , o ônibus já estava saindo .
Era um ônibus da viação Itapemirim . . .
Só tive tempo de colocar as malas no bagageiro e embarcar , não me despedí de minha mãe.
Atrás a imagem e meu irmão , quieto , e o abraço que não dei em minha mãe.
Como aquilo me fez mal . . .
Meu coração praticamente ruiu , era a primeira vez que eu saia de casa . . .
Foi uma viagem muito pesada . . .
Tive que achar um apartamento para alugar em um jornal popular de classificados.
Na verdade eu dividiria um apartamento quitinete com duas pessoas .
Eu tinha feito isto antes quando fui fazer a minha inscrição na universidade.
Cheguei no Rio ,encontrei o Toninho, ele me levou para a praia de Botafogo.
Meu primeiro endereço.
Um beliche , uma cama um sofá . . .
O Marcos , vendedor arrimo de família que morava em Petrópolis e o Josué , um boa vida que tentava achar um lugar ao sol com a política.
Marcos era uma pessoa muito batalhadora , sustentava mãe e irmã.
O Josué era mau caráter.
Um padrão de vida muito inferior ao que eu tinha em Brasília.
Para mim, aos 18 anos , uma cidade desconhecida , uma faculdade difícil , apenas duas pessoas conhecidas foi uma barra.Tinha tudo para dar errado.Sem dinheiro, sem planejamento, sem maturidade.
Em situações de mudanças algumas surpresas podem acontecer.
Quem a gente acha que pode ajudar , de fato ajuda .De quem mais a gente espera apoio , não temos.E de pessoas até então desconhecidas, ajuda e apoio.
A Primeira Igreja que fui foi na Praia de Botafogo .
Ainda me lembro de um determinado cântico de ofertório .
De uma senhora que me pediu para eu me engajar no grupo jovem.
Me lembro de um pequeno grupo de amigos , do Flávio, Beto,Loyola, Girão, Carlos। . .












Me lembro das aulas , do calculo I , da física I da geometria descritiva।DAs salas cheias de gente na faculdade de engenharia da UERJ.

O Rio de Janeiro era uma cidade espetacular , e desconhecida para mim.
Foi um primeiro semestre puxado . . .A faculdade e principalmente a vida.
O povo carioca me acolheu de uma forma que eu nunca tinha vivenciado.
O Apartamento era sublocado , recebemos uma ordem para sair da advogada da proprietária.
A pessoa que nos alugou mandou uns capangas pegar os móveis . . .
Foi uma situação muito delicada।



Fizemos o aluguel e tivemos que comprar os móveis , ( colchonetes) para continuar a vida.
Ao fim de seis meses um amigo de Brasília me chamou para dividir um apartamento nas Laranjeiras।Para ele um pequeno gesto de ajuda , para mim a oportunidade de continuar a estudar.
Um lugar mágico , na Rua conde de Baependí .





De onde trago muitas saudades.
Da Igreja do Largo do Machado , do Grupo jovem das missas de domingo.
Nunca vou me esquecer da Páscoa de 1990.
Como não esquecer do Botafogo quebrando um jejum de mais de vinte anos sem título . . .Da paróquia do Cristo Redentor , do Grupo ágape, da RCC Vicariato Sul .
Eu pela primeira vez trabalhei como tradutor ajudando as missionárias da Caridade , que falavam ingês com a comunidade carente perto do instituto Fiocruz .
Quanta saudade da Ilha do Bom Jesus , da comunidade Filhos da Ressureição e do Padre Lindenberg.
Do Curso de física que não terminei na UFRJ.
De todos aqueles dias estudando de manhã , de tarde e de noite . . .DAs bilbiotecas , lugares mágicos onde eu encontrava também força na forma de livros, onde eu podia economizar estudando em livros sem precisar comprá - los. Da biblioteca estadual , em frente a central do Brasil quantos livros e que lugar mágico .Da biblioteca minicipal e Santa Teresa onde eu chegava após pegar o bonde:Uma viagem ao passado.
De laranjeiras , peguei muitas vezes o ônibus 180 para ir ao Mosteiro de São Bento.
Morei lá até 1993.
Precisei me mudar para o Riachuelo para um alojamento.
A Padaria , ao lado da linha de trem , onde o 474 entra , era maravilhosa: Padaria São João.
Nesta época eu já tinha direcionado meu curso para uma especialização industrial.
Saía do conforto das Laranjeiras para uma nova etapa na vida.
Nesta época conheci através do Fábio o pessoal do Neo-catecumenato da comunidade de Nova Holanda , no Complexo da Maré.
Conhecer uma comunidade, repleta de deficiências , mas cheios de sonhos foi uma experiência marcante.
Das Igrejas Cariocas , com Nossa Senhora nas Torres , como a Igreja da Medalha Milagrosa e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
Conhecí São Sebastião do Alto.
Alvaro , Ribamar , Jandir , Iram, Zrinka , Ratimir, Teresinha. . .
Tantos e tantos que me ajudaram.Deus se mostrando presente na face de muitos .
Os anos foram passando e eu ia fechando as matérias.
Aquelas igrejas , aquelas ruas , aqueles ônibus . . . Eu conhecia o Rio , os subúrbios , a nona sul , a Vila Valqueire . . . A Rua cadete Polônia número 100 , onde morei quase três anos.
O fato é que quando saí de lá não tinha mais meus dezoito anos, tinha amadurecido e sofrido quase ao extremo.
Das aulas particulares , da venda de cosméticos e de mel.
Tudo para ter um dinheirinho para ajudar nas despesas . . .
Foi com o apoio do pessoal de Igreja , de alguns amigos e principalmente da família que aos trancos e barrancos me formei.
O dia da minha formatura , foi 16 de dezembro de 1995.
Deste dia vou falar em outra oportunidade.
Saí do Rio em 1996, precisamente no dia 25 de janeiro , para ir para Vitória , onde tinha conseguido meu primeiro emprego.
Deixei no Rio uma parte de mim.Uma nostalgia , um monte de amigos que terminei perdendo contato.
O que mais me marcou ? Sem dúvida o sofrimento, o amadurecimento , a espiritualidade cristã.
Quando me formei eu chorei.Em alguns instantes toda uma vida passa , anos vão passando com suas emoções dentro da gente: Eu estava com um amigão que me ajudou no processo do vestibular , sua avó , que me hospedou para eu fazer as provas , e que naqueles anos foi uma pessoa que muito me ajudou ,minha tia predileta comigo, minha avó também.
Diante do desconhecido , a reação natural é o medo , eu estava formado e desempregado.Morria de medo de todo aquele esforço ser em vão.Para completar a economia e as indústrias não estavam em seus melhores anos.
Deus não me deixou na mão.
Começei a trabalhar . . .
Sobre isto devo escrever outro dia.Mais uma vez eu saia da cidade que eu aprendera a amar.
Porque escrevi isto?
Foi por na madrugada de ontem falei com amigo de Brasília que conhecí em 1987.
Ele que me ajudou a ir para o Rio.
Outro dia escrevo sobre isto.
A chuva e os trovões estão chegando e não posso perder meus equipamentos . . .