quarta-feira, 29 de abril de 2009

Meus avós

Vovô Cinô

Eu tenho o nome dele.
Não sei muito a respeito dele.
Sei que era fazendeiro em Camassandi, interior da ilha de Itaparica.
Lembro-me vagamente da casa , perto do antigo pé de tamarindo . . .
Sei que tinha uma fazenda em Itaperema, e também uma casa em Nazaré das Farinhas.
Meu pai me dizia a respeito de seus  Saveiros e Canoas,principalmente do REX. . . 
Me lembro do edifício Cícero Viana, onde morava minha avó, no Barbalho e também do 32.
A casa era antiga , e me lembro de descer as escadas procurando pelo bar de seu Abdias,onde após chamar ´´ seu abdias ´´, eu comprava um guaraná brama . . .
Bom gostaria de saber um pouco mais a repeito dele.

Vovó Elza

Vovó Elza cozinhava muito bem e era muito animada, fazia questão de ter a família junta nos veraneios.
Quantas vezes fomos para a Barra do Jiquiriça . . . 
Quantas vezes nos divertimos juntos.
Ela era professora e foi a principal responsável por incutir em minha mãe o gosto pelos estudos.
Muito pequeno eu ficava no muro do 32 contando os carros e esperando a kombí dos doces, dos sonhos . . .
Ela lá que moravam as irmãs de minha avó, tia Edith, tia Santa , das outras lembro-me do sorriso e de muitas perguntas que me faziam , ainda menino.
Sua voz carinhosa e rouca,os cabelos brancos e os óculos ,quanta sabedoria e quanta paz.A última vez que a ví estava em Brasília, fazendo um tratamento, muito magra , mas sempre vovó Elza.
Sua bondade mudou a vida de muita gente.
Era muito bom poder ficar na casa.
Vovó Elza, sempre vou me lembrar daqueles cabelos brancos e daquele sorriso.
Ela era devota de Nossa Senhora da Conceição.
Da casa , dos livros , da tv logo de manhã onde eu ouvia ´´tv aratú canal 4, salvador, salvador bahia´´

Vó Ló

Leocádia , minha avó paterna , pude conhecê-la um pouco mais, talvez porque viveu até meus 25 anos.
Sempre carinhoza e zelosa pelos filhos e netos.
Cozinheira ezímia , destas que marcavam o paladar com os quitutes da Bahia.
Sempre uma palavra amiga.
Muito devota de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Tinha também muitas irmãs, lembro me de tia Zí , vistosa e muito comunicativa . Também me lembro de tia Iaiá, aquela velhinha com uma cara meio infezada , que não sei por que me fazia medo.
Sua religiosidade sempre foi para mim um exemplo, como ela me ajudou nos meus tempos de estudante , quando ao lhe telefonar recebia todo aquele carinho.
Quanta paciência ao fazer todo aquele crochê , ela era muito carinhosa e bem humorada.
Vivia dando uma duras em meu pai e as vezes sobrava para mim , quando brincando me ameaçava me dar chicotadas . . .
Ela foi em minha formatura, ainda tenho as fotos ! Minha avó elegante , ao lado de minha tia Jólandia , de Dona Rizza e do Claudio. 

Vovô João

Me lembro de meu avô João assistindo comigo os filmes de Fred Asteire  . . .
Um dia nós soltamos arraia na avenida Centenária.
Me lembro de soltar arraia com ele.
Me lembro de um veraneio de 1977, onde na praia na cidade de Gameleiras , nós passamos um veraneio .
Brincamos muito.
Lembro me de seus bigodes, brancos, sua barriga e careca.
Tinha a voz forte , tudo nele me inspirava força.
Ele era meu padrinho, junto com minha avó , minha madrinha.
Na verdade eles insistiram muito com meus pais para que eu fosse logo batizado.

Cadê aquele menino , pequeno e sózinho , que pulava nos braços dos avós, que não cresceu perto de seus avós?Com dez meses foi para Brasília e só ia para a Bahia nas férias.

Quando me lembro deles , vem em minha mente muito amor, eu que sempre fui meio descolado da família, percebo o quanto eles eram expressão de amor.Minhas origens passam por eles, não só o que tenho , mas o que sou , como vivo , como falo e me sinto.

Hoje Gabriela está chorosa . . .

É o segundo dia sem sua avó . . .

Ela parede frágil, não quer ficar sozinha, está muito mais apegada a mãe.

A mãe fala´´ele tem medo da gente sair e não voltar´´.

Minha filha , o que você tem?A resposta vem em forma de lágrimas e um chorinho insistente . . .

Eu tão cansado , mesmo esgotado, preciso de um pouco mais de força para ficar com ela.
Tenho que dar um jeito de passar pelo menos um fim de semana na Bahia, para Gabriela conhecer seu avô.
Penso em meus avós , eles estão com Deus, e eu nesta preciso estar forte para guiar minha família, sendo e fazendo -os felizes!
 
Agora dormem juntas mãe e filha , o choro finalmente acabou.
Para ser mais exato ,dormiram às dez horas e são 4:45 hs . . .
Ouço o barunho das águas da chuva . . . 

Um novo dia se aproxima.

Foi muito bom recordar meus avós!

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